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12 de nov. de 2012

Camille e Rodin


 
 
 

 
 
Auguste Rodin, o escultor.
 
Camille Claudel, a aluna, a discípula, a amante.
 
Rodin, a técnica.

Camille, a intuição.
 
Diferentes visões.
 
Embates.
 
Competitividade.
 
O amor.
 
A paixão.
 
A loucura.
 
Franz Keppler. Acerta no texto.
 
Elias Andreato, na direção.
 
Leopoldo Pacheco e Melissa Vettore. Impecáveis.
 
Entregues à profundidade das personagens.
 
Interpretações densas.
 
Desapegadas de ordem cronológica.
 
Cenas românticas reproduzem obras de ambos.
 
Atores se misturam na cenografia.
 
Gestos, música e iluminação se complementam milimetricamente.
 
Emocionante.
 
Que nos faz repensar sobre a arte e o amor.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Serviço:
Camille e Rodin
Texto de Franz Keppler
Direção de Elias Andreato
Elenco: Leopoldo Pacheco e Melissa Vettore
Local: Grande Auditório do MASP - Avenida Paulista, 1578 - Bela Vista - São Paulo - SP
 
 
 

23 de out. de 2012

O Expresso do pôr do sol







 
 
Uma arena.
 
Uma linha férrea.
 
Um apartamento.
 
Vida.
 
Morte.
 
A continuidade.
 
A desistência.
 
As diferenças.
 
As escolhas.
 
A luz.
 
A sombra.
 
As almas.
 
A fé.
 
O conhecimento.
 
A esperança.
 
A falta dela.
 
Dois homens.
 
Duas histórias.
 
Duas escolhas.
 
Dois destinos.
 
Uma certeza.
 
A morte.

A vida.
 
 
 
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João Caldas
 
 
Como sempre a curiosidade.
 
Ela me guia.
 
Dessa vez não foi diferente.
 
Quando soube que havia uma adaptação da obra de Corman McCarty (um dos mais respeitados e premiados escritores norte-americanos) sendo exibida no teatro, minha curiosidade despertou.
 
O elenco, formado pela dupla de talento inegável e reconhecido - Cacá Amaral e Guilherme Sannt'Anna, era mais um motivo para que o desejo de assistir a peça aumentasse ainda mais.
 
E assim fiz.
 
Retornei ao meu querido Tucarena. Palco de tantas lembranças da minha época de estudante da PUC.
 
 
A peça começa. E no palco não vejo os atores teatrais renomados. E, sim Black e White. Impecáveis.
 
Discussões diretas. Embates. Discursos convincentes. Argumentos defendidos com firmeza.
 
Pontos de vista díspares.
 
Personagens complexos. Com extenso conteúdo: a vida de cada um.
 
Figurinos que falam por si só. Nos auxiliam na definição de cada homem.
 
Nenhum contato físico entre eles. O duelo é "apenas" verbal.
 
Nenhuma palavra solta. Todas palavras amarradas, em belas frases, que resultam em pensamentos profundos e verdadeiros, que nós remete as nossas vidas, e expõem questionamentos que costumamos fazer, muita vezes, apenas quando estamos a sós.
 
A iluminação é um quesito a parte. É o próprio cenário. Altera-se constantemente. Mas, sempre com significado. Nada acontece por acaso. Delimita espaços. Complementa os discursos. Dá vida ao espetáculo.
 
Espetacular texto. Direção irretocável (Fábio Assunção). Atuações emocionantes. Montagem minimalista.
 
Todos estes aspectos juntos, nos presenteiam com uma peça diferenciada. Onde o principal é o conteúdo apresentado e que nos faz refletir sobre a vida e a morte, a fé e o racionalismo, pessimismo e otimismo, a luz e a escuridão.
 
Uma peça que provoca, que te faz pensar e lidar com seus medos e questinamentos mais íntimos e profundos.
 
Coisa rara hoje em dia.
 
 
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Serviço:
 
Expresso do pôr do sol - Tucarena - Rua Monte Alegre, 1024. Até o dia 30/11/2012.
 
 
 


20 de abr. de 2011

Tango, bolero e talento... Muito talento




A primeira oportunidade foi em 2000.

A segunda foi agora, por pura vontade de reviver as risadas gravadas em algum lugar da minha lembrança.

Texto enxuto, de argumentação simples, mas sem negligenciar a qualidade e a inteligência.

Nada de grandes experimentações teatrais, nem de exploração das complexidades existenciais.

Uma comédia. Simplesmente, uma comédia feita para divertir. Com o aval da grande diretora Bibi Ferreira.

Um espetáculo, de grande sucesso anterior, remontado com novo elenco e com uma roupagem mais moderna.

Do elenco antigo, permaneceu apenas o ator Edwin Luisi.

E ele que faz a diferença no palco.

Ator, este, que, em interpretação impecável, mostra o que é compor, encenar e interpretar uma personagem sem pudores e com tamanha competência que rendeu ao mesmo cinco merecidos prêmios: Shell, APCA, Mambembe, Governador do Estado do Rio de Janeiro e Quality Brasil.

Quarenta anos de carreira, com, uma média, de quase uma novela por ano, vários filmes e peças de teatro.

Carreira sólida, que não se rendeu aos vazios modismos televisivos modernos.

Peça recomendada com vistas a retribuir tudo o que este grande ator já vez na televisão brasileira, assim como, para se embebedar com tamanho talento que transborda do palco.

Vale a pena conferir!



tango-bolero-chachacha

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Serviço:

Tango, Bolero e Cha Cha Cha
Elenco: Edwin Luisi, Cris Nicolotti, Johnny Massaro, Carolina Lobak e Carlos Bonow.
Local: Teatro Shopping Frei Caneca
Temporada: até 17 de Julho de 2011.
  

24 de fev. de 2011

Bom exemplo, bom trabalho, bom resultado


Uma vocação. Um sonho. Uma paixão.
Olhar para o lado.
Observar as necessidades alheias.
Dedicação.
Trabalho árduo.

Junte tudo isso. Você estará de frente para Ivaldo Bertazzo.

Educador e coreógrafo. Que tem o dom da doação.
Doação ao próximo.
Projetos sociais sem fim.

Preocupação com o ser humano.
Desejo de ensinar o homem a se conhecer, a se descobrir.

Conhecimento adquirido durante muitos anos, amadurecido e pronto para ser difundido.
Pronto para repassar aos carentes de atenção.
Aos carentes de chances de crescer.

Ele olhou para eles. Viu futuro. Um belo futuro.
Estendeu o braço.
Várias mãos retribuíram.
O sonho se concretizou.
Vidas se transformaram.

A música tocou.
Corpos são descobertos.
A música se fez presente em vidas surdas.
Futuro ficou mais colorido.
Repleto de esperanças e possibilidades.

Pessoas comuns se descobrem.
Corpos são educados.
Manifestação da própria individualidade dentro de um grupo com objetivos em comum.

Escola é criada.
Espetáculos são encenados.
Talentos são descobertos.

Fui testemunha de tais fatos.
Fui testemunha de um, dentre tantos espetáculos.
O Corpo Vivo.

Inicialmente, fiquei desconfiada.
Cenário escuro, artistas adentrando o palco aos poucos e se vestindo.

E a festa começa.
Surpresas são seguidas.

Tinha que me atentar para todo o palco.
Movimentos distintos, simultaneamente por todo o palco.
Dezenove corpos movimentam-se em sincronia.
Tipos físicos diversos.

Inserções dramáticas.
Inserções musicais líricas.
Não ofuscam a dança.
Ficam em segundo plano, tamanho talento dos bailarinos.

Corpos, roupas, acessórios variam de acordo com o fundo musical.
Estilos são misturados. Passamos de indiano, para grego, street dance, balé, entre tantos outros, com a mesma rapidez que os artistas se movimentam no palco.

Elenco impecável.
Que consegue nos fazer, de forma intrigante, refletir sobre a importância do corpo em nossas ações.
Mas, de forma lúdica.
De forma poética.

Há um confronto.
Confronto inesperado.
Entre a espécie humana e a evolução de animais.

Movimentos e singularidades de ambos os grupos são apresentados por dança e música.
Personagens entremeiam a apresentação.

Questões são jogas ao ar.
Reflexões são lugar comum.
Reflexões sobre a evolução humana.
Reflexões sobre o desenvolvimento individual.

Teatro fica em silêncio.
Público com olhares fixos.
Público desafiado a sair da condição de espectador para participar da peça.

Salve a Cia. Teatro Dança Ivaldo Bertazzo!
Que conseguiram mesclar as linguagens da dança e teatro.

Salve aqueles jovens bailarinos, de tanto valor e competência!
Grande parte deles formados por mais um projeto social deste coreógrafo!

Mais uma vez me emocionei.
Tive oportunidade de ver grandes talentos sobre um palco com sede de talento.

Talentos que, como tantos por aí, poderiam estar perdidos neste mundo cercado de injustiças.

Talentos individuais descobertos por Bertazzo.
Talentos amadores que são trabalhados e tornam-se profissionais brilhantes.
Fui testemunha que o Método Bertazzo de dança e movimento produz excelentes resultados.

Resultados emocionantes.
Que nos faz acreditar que ainda pode dar certo.
É só querer.

Bom exemplo, bom trabalho, bom resultado.

É só seguir o exemplo.



Serviço:

- Espetáculo Corpo Vivo – Carrossel das Espécies – Teatro de Sesc Belenzinho.

- Escola do Movimento, na Pompéia – SP, onde o coreógrafo oferece o Curso de Formação no Método Bertazzo, para educadores e não profissionais, além de aulas em que as pessoas aprendem a conhecer e viver melhor com seus corpos.

21 de fev. de 2011

Herói da ficção brasileira


Você provavelmente foi obrigado a ler, na época do colégio, o livro do carioca Lima Barreto, “Triste fim de Policarpo Quaresma”. Considerado por alguns entendidos o principal representante do pré-modernismo.

Para quem não se recorda, o romance tem como centro da história o nacionalismo, mas debate também sobre o idealismo.

Uma característica da obra é a ironia, estabelecida a partir de críticas à sociedade e ao positivismo.

Até aí, nada de novo.

Eis que um dia, fico sabendo que tal obra estava sendo encenada no teatro. Pensei, a princípio, que talvez não fosse interessante assistir a tal peça, em virtude de decepções anteriores ao assistir encenações baseadas em obras literárias.

Deixei para lá. Enterrei a vontade em algum lugar.

Até que um dia, uma colega nos convida para assistir tal peça... Aquela vontade não estava bem enterrada. E ressurge com uma curiosidade infinita de tirar a “prova dos nove”. Esta poderia ser diferente e ser extremamente interessante... Por que não?

Nem precisei pensar muito sobre a escolha. E o sim dispara ao encontro do ingresso já em minhas mãos.

Acho que foi uma boa idéia. E como.

A peça foi encenada no Sesc Santana, com adaptação e direção do competente e pouco compreendido Antunes Filho e encenada pelo não menos competente Grupo Macunaíma.

Teatro aconchegante. Fico surpresa com o que vejo. Não conhecia este teatro.

Atores entram em cena. Fico paralisada com tamanha criatividade. Tenho diante de meus olhos uma mistura de comédia de arte, teatro, dança e música. Tudo na medida certa.

Não consigo tirar os olhos do palco. A magia do teatro se faz presente. Salve a arte. A boa arte.

Salve os bons atores. Todos. Cada um de sua forma. Cada um tem seu momento sublime.

Salve Lee Thalor. Que interpreta o major nacionalista. Já tinha lido algo a respeito deste ator e sobre sua atuação nesta peça. Nenhuma fez jus ao que tinha diante de meus olhos.

Estava diante do Policarpo Quaresma. Era ele.

Com seu tom de voz tecnicamente colocado. Com a pronúncia de infindáveis sss, este ator dá um show neste papel. Sinto um alívio em saber que ainda existem atores na essência da palavra.

Quando já achava que tinha visto tudo o que este ator poderia oferecer, me deparo com uma das cenas mais lindas que meus olhos tiveram o prazer de ver: ele sapateando para matar as saúvas que acabavam com a plantação do personagem (algo de metáfora inigualável), ao som do hino nacional.

Ali, meu coração apertou. Me emocionei perante a brilhante idéia de Antunes Filho para a cena e pela concretização desta idéia por esta incrível ator. Só aquela cena, valia a peça toda.

Os 120 minutos passaram com uma rapidez surpreendente. Sinal de que fiquei com os olhos fixados naquele palco maravilhoso, a cada minutinho que se passava.

Saí da peça emocionada. Fazia tempo que isto não acontecia.

Emocionada pela adaptação, pelo talento com que aqueles atores trabalharam, com a modernidade aplicada em uma obra pré-modernista.

Emocionada em ter presenciado o que aconteceu sobre aquele palco. Emocionada em ser testemunha da concretização de uma adaptação de uma grande obra nacional, representada por imensos talentos teatrais.

Emocionada por ver que ainda há esperança. Que existem talentos espalhados e pouco valorizados por aí. Mas, existem.

Emocionada com tamanho talento daquele ator. Eu posso dizer que conheci Policarpo Quaresma naquela noite.

Emocionada por ver um produto nacional de qualidade. De muita qualidade.

Que Deus abençoe todos estes artistas magníficos.

Senti, nesta noite, um amor ao meu país.

Deve ser influência de Policarpo.